Clássico da literatura transgressora europeia, Nossa Senhora das Flores, de Jean Genet, volta às livrarias brasileiras em agosto pela Todavia, com nova tradução assinada pelo poeta e ensaísta Júlio Castañon Guimarães. O lançamento faz parte de um movimento editorial que recupera a obra radical e lírica de Genet, um dos grandes nomes da literatura do século XX, responsável por inaugurar um olhar poético e político sobre os marginalizados.
Escrito em 1942, enquanto Genet estava preso, o romance rompe com os limites da moralidade e da linguagem ao transformar pessoas marginalizadas em personagens quase místicos, inseridos num universo de desejo, violência e redenção. Nossa Senhora das Flores não apenas inaugura a trajetória literária de Genet, como também define o tom provocativo e hipnótico de toda a sua produção.
Jean Genet, que passou a juventude entre reformatórios e prisões, fez da sua história e dos submundos que frequentou a matéria-prima de sua obra. Rejeitado e, ao mesmo tempo, cultuado por figuras como Sartre e Foucault, o autor construiu uma literatura que afronta convenções, glorifica os excluídos e questiona os alicerces da normalidade social.
“Jean Genet costuma ser descrito como o poeta da transgressão e do escândalo, mas ele é, antes de tudo, o poeta do amor. Este livro, uma das mais belas e importantes obras do século XX, é a prova disso.”
Édouard Louis
Com essa reedição, a Todavia inicia o projeto de republicação de sua obra, devolvendo ao Brasil a chance de ler Genet em sua força máxima e em diálogo com a produção contemporânea, colocando-o como um dos muitos pontos de partida da literatura queer e da autoficção. Como revelado pela coluna Painel das Letras da Folha, a coleção de Genet deve se expandir nos próximos anos, com novas edições de O milagre da rosa, Querellee Diário de um ladrão previstas para 2026. O projeto gráfico da nova coleção é assinado por Violaine Cadinot.
Sobre o livro
Escrito numa das muitas passagens do autor pelas prisões francesas, este livro nasceu das memórias pessoais e obsessões íntimas de Jean Genet. Fruto de uma necessidade incontrolável de evasão e subversão eróticas, o texto não se contenta em reproduzir um mundo: tem a ambição de criá-lo. O narrador alterna elementos autobiográficos com impulsos líricos, reflexões sobre a vocação artística com explosões avassaladoras de vitalidade erótica. Tudo isso torna o romance de Genet cada vez mais contemporâneo, dialogando com a produção de Édouard Louis, Paul B. Preciado e Annie Ernaux.












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