Ana Maria Gonçalves, escritora por trás do o romance histórico Um defeito de cor, foi eleita a nova imortal da Academia Brasileira de Letras, sendo a primeira mulher negra eleita pela instituição em seus 127 anos de existência. A autora ocupa agora a cadeira 33, deixada pelo gramático Evanildo Bechara e fundada por Domício da Gama.
Publicado em 2006, o livro narra a trajetória de Kehinde, mulher africana escravizada na Bahia que luta por liberdade. Com mais de 900 páginas, a obra resgata vozes apagadas da história e tornou-se leitura obrigatória em vestibulares e foi eleita o melhor livro de literatura brasileira do século 21 em uma lista da Folha.
Nos últimos anos, o romance ultrapassou as páginas do livro e inspirou outras linguagens. Em 2022, foi tema de exposição no Museu de Arte do Rio, que propunha uma revisão historiográfica da escravidão abordando lutas, contextos sociais e culturais do século XIX e seus desdobramentos a partir de mais de 350 peças. Sucesso de crítica, a mostra passou ainda por outras cidades do país, como Salvador e São Paulo.

Já em 2024, foi a vez da Portela desdobrar a trama nos desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo inspirado no livro.










