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Detalhe da capa de “Monstros?” | Amarcord/Divulgação

“Monstros” discute a difícil separação entre artista e obra

Claire Dederer tenta responder o que devemos fazer com artistas moralmente questionáveis

Afinal, é possível separar a obra do artista? Essa pergunta inquieta fãs, críticos e leitores há décadas, e ganha contornos ainda mais urgentes no século XXI. Claire Dederer mergulha fundo nessa discussão em Monstros: o dilema do fã, livro que tenta responder ao impasse ético de quem ama arte feita por pessoas moralmente questionáveis.

Indicado por veículos como The New York Times, Esquire e The New Yorker, este misto de ensaio, pesquisa e confissão parte de uma inquietação pessoal da autora e tenta refletir sobre como — e até se é possível — continuar consumindo e admirando a arte de figuras como Michael Jackson, Woody Allen, Pablo Picasso e Anne Sexton à luz das acusações e das histórias que conhecemos sobre eles.

Abrindo espaço para o desconforto, Monstros tenta examinar o que significa ser fã num mundo em que ninguém mais consegue se esconder. Já disponível, o livro tem tradução de Joca Reiners Terron e é editado pela Amarcord, novo selo do Grupo Editorial Record.

Monstros é um livro incrível, o melhor trabalho crítico que li em tempos. […] A mente de Claire Dederer é maravilhosa, sua erudição também.”

Nick Hornby, autor de Alta fidelidade e Funny Girl

Sobre o livro

Seria incrível se houvesse uma calculadora em que pudéssemos inserir o nome de um artista, sua arte e sua perversidade cometida. Algo que indicasse para nós, o público, a melhor maneira de apreciar um filme, uma música ou um quadro – algo que definisse um equilíbrio universal entre o senso moral e o amor pela arte, e nos eximisse de decidir por nós mesmos quais pesos e medidas usaríamos para solucionar essa equação.

Uma calculadora assim seria risível, impensável, nos diz Claire Dederer, jornalista e crítica de cultura. Mas todo mundo já quis ter uma dessas em mãos. Pode ser uma experiência angustiante admirar artistas como Ernest Hemingway, Michael Jackson, Woody Allen, Anne Sexton e Pablo Picasso depois que tomamos conhecimento de seus atos abusivos, criminosos ou moralmente questionáveis. Claire Dederer sentia essa angústia e percebeu que a máxima que paira sobre admiradores de arte, de que é possível separar “artista” e “obra”, parece não caber mais no século XXI, o século da superexposição e da pessoalização. Mas resolver esse problema, como Dederer se propõe, não é uma tarefa fácil.

Monstros: o dilema do fã é o resultado de um longo processo investigativo, advindo de uma inquietude pessoal compartilhada por tantas pessoas. Aqui, a autora apresenta sua pesquisa sobre o assunto como se convidasse o leitor para uma conversa, sem se perder da erudição necessária e da contextualização histórica.

Dederer se equilibra entre polêmicas, julgamentos morais e jurídicos, revisões críticas, coberturas de imprensa, respostas de fã-clubes, retaliações online e cultura do cancelamento, obtendo, por fim, uma amálgama de sentimentos e racionalizações. São apresentados matizes que podem nos ajudar a responder: afinal, o que deve o fã fazer diante da monstruosidade de um artista?

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