Salvar o mundo com poderes mágicos, discursos sobre amizade e uniformes estilosos parecem algo incrível — até que a vida adulta chega. A Roccolança no Brasil Uma garota mágica se aposenta, da sul-coreana Park Seolyeon, uma sátira brilhante e melancólica que coloca o mito das garotas mágicas sob o peso do capitalismo, das dívidas e da crise climática.
Nos animes e mangás, as garotas mágicas, como em Sailor Moon, Sakura Card Captors e Puella Magi Madoka Magica, são adolescentes escolhidas para enfrentar o mal, armadas com poderes, laços coloridos e discursos esperançosos. Mas a protagonista de Seolyeon é um pouco diferente: tem 29 anos, está desempregada, afundada em dívidas e vê sua vida desmoronar após a pandemia. Quando decide pôr fim a tudo, é abordada por Ah Roa, uma misteriosa garota mágica com poderes de clarividência, que revela que ela pode ser a escolhida para salvar o mundo. Só que, na prática, ser uma garota mágica significa encarar reuniões de sindicato, preencher formulários, buscar emprego e lutar, não contra monstros intergalácticos, mas contra a crise climática.
Premiada e reconhecida como uma das vozes mais inventivas da nova literatura sul-coreana, Park Seolyeon mistura crítica social, humor ácido e referências pop para desconstruir o imaginário das garotas mágicas. Com tradução de Núbia Tropéia, Uma garota mágica se aposenta reflete sobre a precarização do trabalho, a ansiedade coletiva e o desafio de encontrar propósito em um mundo à beira do colapso.











