Vencedora do Prêmio Jabuti de 2021 na categoria Contos com a coletânea Flor de gume, Monique Malcher volta ao centro das atenções com a reedição da obra pela Editora Moinhos e a sua estreia no romance com Degola, publicado pela Companhia das Letras. Além disso, a autora está confirmada na programação da FLIP 2025, onde participa da mesa Todas as formas, marcada para o dia 31 de julho, às 17h.
Natural de Santarém (PA), Monique se tornou a segunda mulher nortista a vencer o Jabuti no eixo de literatura em mais de seis décadas de premiação. Em Flor de gume, ela tece contos marcados pela delicadeza e pela força de mulheres que enfrentam violências cotidianas, atravessadas pela ancestralidade e pelo território amazônico. A nova edição traz capa ilustrada pela própria autora e orelha assinada por Jarid Arraes.
“Monique Malcher escreve o crescimento das mulheres resistentes. Desenha linhas de vidas que, sabemos, muitas vezes quase foram interrompidas; mas abre suas mãos e nos mostra uma transformação: a flor corajosa que se defende, reage, ataca.”
Jarid Arraes
Agora, com Degola, Monique amplia sua voz em uma narrativa de fôlego que mergulha nos bastidores da Zona Franca de Manaus, expondo os impactos sociais e subjetivos da desigualdade. É um romance sobre o corpo, o trabalho, a memória e os afetos; mais um passo de uma autora que se destaca por unir pesquisa, arte e linguagem em um projeto literário pulsante. A capa é de Alceu Chiesorin Nunes com colagem da autora.
“Degola tem a força das cicatrizes, das memórias que insistem em construir a vida ao redor de uma marca na alma. Monique Malcher escreve com a maestria e a voracidade de quem sabe e tem muito para contar, sem acanhamentos.”
Dira Paes
Conheça Degola:
A Zona Franca de Manaus atraiu para o Amazonas milhares de migrantes em busca de uma vida melhor. Era símbolo do progresso. Sem recursos, a família de Sol, protagonista de Degola, vai morar em uma ocupação. Quando chovia, tudo virava barro, e era com ele que Sol modelava pequenas criaturas que depois esmagava. Era gostoso destruir o que ela mesma havia criado. As galinhas ficavam em redor dela, estranhando a menina, temerosas. Aquele lugar tinha mesmo fama de perigoso. A vida de todos e de tudo – humanos, animais, plantas, solo, água e ar – era violentada.
Já adulta, Sol sabia que precisava desfazer, ao menos em parte, o que dela foi feito quando criança. Aprender a nadar se torna o caminho para essa transformação. Um rito de passagem, que a autora descreve com beleza e originalidade magníficas.
Degolaé um delicado exercício de imaginação e de linguagem. A precisão e a incisividade da poesia se combinam com a complexidade narrativa do romance. O resultado é um pequeno milagre da escrita.
Conheça Flor de gume:
“Flor de gume é um livro escrito para peles cortadas. Literatura como mergulhar as pernas nos rios do Pará e ouvir palavras que contam meninas presas em infâncias machucadas, mães e mulheres que crescem como plantas de verde profundo, apesar da realidade de violência, e avós que nutrem raízes, que aplicam ervas restauradoras no corpo ferido.
Uma obra mística, que chama entidades e ancestralidades. Contos desenhados em cartas de tarô, estética literária que roda junto com as saias. Uma riqueza de referências. Experiência necessária para a literatura brasileira, que é presenteada com Flor de Gume, o intenso encontro com o Norte do país e o chamamento feito por Monique Malcher, que nos ajuda a furar a ignorância do mercado editorial e, com ela, direciona nossa atenção para além do sudeste. Flor de Gume é Norte e jornada.
Monique Malcher escreve o crescimento das mulheres resistentes. Desenha linhas de vidas que, sabemos, muitas vezes quase foram interrompidas; mas abre suas mãos e nos mostra uma transformação: a flor corajosa que se defende, reage, ataca. Esta é a imagem poderosa que tingirá de verde o corpo de cada leitor: a lâmina dentro da beleza e a beleza possível porque também lacera.” — Jarid Arraes












